365 histórias (verídicas) de amor

Porque coração não tira férias

SOMEONE LIKE YOU

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Joana tinha namorado, estava feliz, mas achou que dar uma agitada na vida podia ser legal. Era maio de 2005 quando resolveu passar um tempo no exterior. O programa de Au Pair, sugerido por uma amiga, era acessível e ELA, finalmente, poderia realizar o sonho de morar e trabalhar nos Estados Unidos por pelo menos um ano.  Cuidaria de crianças e conheceria o país.

Acabou o namoro e fez as malas. Sem dúvidas, partiu na primavera. Tinha 21 anos e coragem e curiosidade de sobra. Tudo parecia ser do jeito que ELA imaginou, só que com um gosto diferente porque era realidade. Fez amigos para a vida inteira e criou laços fortes de amor com as crianças da sua nova família. Só que as vezes, quando fazia frio, ELA colocava meias, casacos e cobertas que esquentavam a pele, mas não o coração. Alí, o vento batia e tinha espaço até pra dar voltinha. Alguma coisa estava faltando. “Alguém”.

O ano já tinha virado. Era abril, quando as flores abrem no hemisfério norte. Dias bonitos e despretensiosos chegavam e iam. Em uma quinta-feira qualquer dessas, ELA saiu com um pessoal que nem era da turma, só porque era bom sair de casa. Foram até uma cidade próxima tomar cerveja. No bar, música ruim e gente esquisita. ELA sentou sozinha no balcão, pediu uma bebida e acendeu um cigarro. A diversão era observar os trejeitos de quem chegava. Até que “Alguém” passou pela porta. ELE parecia tão deslocado quanto ELA. Isso aproximou os dois.

ELE se apresentou: “Andrew”. Passaram a noite conversando. ELA ficou bêbada. ELE bebeu Pepsi. Antes de ir, pediu o telefone DELA. No outro dia, já chamou para jantar. Mas era sexta-feira, dia de sair com os amigos. “Vou nada!”. Joana tinha tudo programado para o fim de semana e não cogitava abrir mão dos planos por um cara qualquer de uma noite banal. Saiu naquele dia com uma galera massa, e no outro também. Mas o convite ficou na cabeça e a vontade de estar com ELE cresceu, não se sabe de onde. Só tinham se visto uma vez. Como podia?

No domingo, inquieta, ELA foi quem chamou pra almoçar. Ficou estranhamente nervosa. Chegou ao restaurante e ELE esperava na porta. Sóbria, ELA lembrou o quanto Andrew era alto, grande e até gordinho! Mas percebeu, encantada, que ELE tinha os olhos mais azuis e lindos do mundo. Conversaram, se perceberam e a noite terminou com pipoca e cinema.

Não se desgrudaram mais. Rolava química, pele e a sensação de vazio preenchido. ELE apresentou a família, os amigos, o cachorro e fez desaparecer NELA a vontade de voltar para o Brasil. ELA queria mesmo ficar e viver mais um pouquinho daquele sentimento, daquela delícia, daquele momento. Mas a faculdade em aberto na terra natal e a falta de perspectiva de um melhor emprego nos EUA acabaram definindo o inevitável.

Até o azul dos olhos DELE escureceu um pouco ao saber que ELA precisava ir. A dor da despedida foi quase dilacerante. O último “adeus” ecoou por meses e a mínima lembrança desse dia machuca o peito até hoje. ELES lembram. Era inverno. E para aquele frio não adiantava luva, casaco ou cobertor.

A vida seguiu para os dois. Cada um no seu canto. Joana começou a namorar e estava aparentemente feliz. Tempos depois, o Facebook, fofoqueiro, avisou que Andrew também estava em um relacionamento sério e aparentemente feliz. Disse ainda, desaforado, que ELE estava morando junto com a moça. Ainda não satisfeito, informou, em um golpe fatal, que tinham noivado. Mas ficou tudo bem.

Anos depois, ELA tirou férias e voltou aos EUA para visitar a host family e os amigos que lá ficaram. Temerosa, mas determinada, enviou um inbox para ELE informando que estava a caminho. A resposta foi curta e surpreendente: “Este é meu número. Me ligue ASSIM QUE CHEGAR”. ELA tremeu, afinal, ambos estavam comprometidos e não se viam há tanto tempo… Mas fez conforme o combinado.

Marcaram um café. Local neutro, cheio de gente. ELE, pra variar, chegou antes. E levou toda sua beleza e o mesmo par maravilhoso de olhos azuis. Vestia um terno. E assistindo a esse momento, qualquer amiga de Joana saberia que ELA estava morrendo por dentro, pois acha homens de terno simplesmente irresistíveis. Assim, o que seria um café de 20 minutos, virou uma conversa com 5h de duração sobre a vida, sobre ELES e seus respectivos relacionamentos.

Mais uma vez, o retorno para o Brasil foi torturante. Mas o pior iria chegar. O Facebook, cruel, avisou, meses depois, do casamento de Andrew. Era tarde para se arrepender. Adele acabara de lançar seu novo sucesso, “Someone like you”. E várias foram as vezes em que Joana chorou copiosamente ao som da música, escondida do namorado e da família, a dor de quem tem um pedaço de si arrancado e levado embora. Não podia gritar, então sorriu conformada. Era o fim de um ciclo.

ELA continuou vivendo a vida. Cuidou de si, se embelezou, ficou bonita demais. Em junho deste ano, as coisas não saíram bem como ELA planejava e o namoro acabou. Andrew ficou sabendo. Parece que foi o Facebook quem contou. Retomaram o contato e ELE comentou que o casamento também não está dando certo. Desde então, ELES se falam todos os dias. A impressão que dá é que o tempo não passou… ELE fez uma promessa: vem ver Joana ainda este ano. E você, caro leitor, infelizmente vai ficar curioso, porque essa história parece não estar nem perto de acabar! Vai ter que perguntar ao Facebook. rs

  • 9 Outubro 2013